Há algum tempo venho refletindo sobre minha vida profissional, minhas escolhas nessa área e inevitavelmente o cenário profissional onde vivo. Sou relativamente novo, tenho apenas 24 anos, o que me levou a ter que fazer poucas escolhas até o momento. Conseqüência disso é que com poucas escolhas, houveram poucos erros e poucos acertos. Mas o mais importante são as escolhas que farei de agora em diante.
Olhando para o futuro e analisando o contexto onde estou inserido, cheguei a uma conclusão muito interessante. “Coisas” modernas não são boas.
Você pode achar interessante que uma pessoa apaixonada por tecnologia se diga contra “coisas” modernas. Mas se você chegar até o fim desse texto, vai entender muito bem o que eu quero dizer com isso.
A pouco tempo atrás a Google anunciou um sistema de tradução de voz simultânea para seus celulares Android. Isso significa que em breve a língua vai deixar de ser uma barreira para muitas pessoas no mundo e isso é excelente, viva a modernidade!
O que vou dizer agora não é uma critica ao software, pois acho a idéia excepcional e sem duvida esse produto vai agregar mais valor a vida das pessoas. Mas vocês conseguem perceber a sutil implicação que isso pode ter a longo prazo na sociedade? Supondo que o sistema funcione 100%, com o passar do tempo deixaríamos de ter pessoas interessadas em “aprender” a língua. Já que temos um produto que faz a interface, não precisamos mais aprender, precisamos apenas saber como usar.
Hoje eu estudo em uma faculdade moderna, trabalho com produtos e ferramentas modernas e estou inserido em uma sociedade igualmente moderna. Você consegue perceber a implicação disso tudo?
Estudo em uma faculdade que se quer ensina o que deveria ensinar. Trabalho com ferramentas que procuram abstrair uma parte do processo intelectual. Tudo isso em nome da suposta produtividade, em nome de estar pronto para o mercado, estar pronto para atender as necessidades do dia a dia. Nesse processo o que é realmente importante fica para trás, o conhecimento é deixado em segundo plano e a grande estrela é a execução.
Aos poucos e cada vez mais, deixamos de ser pessoas que constroem algo para sermos pessoas que utilizam algo. Nesse ponto já não é difícil perceber a mediocridade que existe nisso não é?
Depois que me dei conta disso, todos os dias acordo tentando lutar contra mediocridade, mas não é fácil. Por vezes sou vencido, mas continuo a lutar. É difícil olhar ao redor e ver poucos exemplos a serem seguidos. Na maioria das vezes se olha para o lado e se vê mais centenas de profissionais iguais a todos os outros, prontos para apenas executar…
Então de agora em diante tente exercitar um pouco mais sua inteligência, seja curioso, não aprenda apenas como fazer, aprenda também o porque fazer, aprenda como não fazer e aprenda a desfazer. Comece os exercícios evitando a modernidade, depois vamos deixar de “achar” e começar a termos certeza. A luta não é fácil, principalmente quando você se da conta do quão medíocre você é, e que você está sozinho nessa luta.
Estou tentando ficar menos ignorante na área de gestão/administração, mas com a devida licença, tenho que discutir uma máxima aplicada no dia a dia. Ao contrario do que se diz popularmente, acredito que devemos ter foco no problema. Focar na solução só vai ajudar momentaneamente, mas se o problema aparecer novamente em um contexto diferente, você terá que buscar outra solução. Se você tem o foco no problema, analisa e entende ele, você pode achar soluções para qualquer contexto com muito mais facilidade. Entender o que acontece é fundamental.
Você pode chegar a esse ponto sem concordar com metade das coisas que foram ditas, ou mesmo sem encontrar nenhum significado nesse texto, mas se pelo menos uma pessoa conseguir entender o que estou tentando explicar, então o tempo gasto escrevendo esse texto valeu a pena.
Eu não quero mudar de contexto profissional, eu quero modificar o contexto em que eu estou inserido.




O texto já valeu a pena, pois eu compreendi sua inquietude, pois também não gosto de ser mero executor. A corrida atual por produtividade, tenta nos impedir de tentar entender os problemas, mas sim, devemos lutar contra isso, e com certeza, num futuro próximo o resultado dessa luta atribuirá a aqueles se se mantiverem firmes algum diferencial.
Oii amigo
Adorei seu desabafo, o mundo moderno, nos traz muitas mordomias e facilidades, mas faz com que as pessoas pensem pouco e copiem muito.Antigamente existiam mais questionadores, hoje em dia existe senso comum, os diferente são os anormais,só por não fazer parte da maioria.Eu tambem tenho essa luta comigo mesma, nao me deixo influenciar pelo contexto social e sim pelos meu valores e o que acho justo, podem me chamar de louca, mas tenho ceretza que muitos queria fazer o que faço mais nao tem coragem, pois dão mais valor ao que os outros vão dizer, do que a você mesmo.
Bjs grandes
Olá!
Os nossos pensamento e o nossos desejos a respeito de nosso caminho profissional devem ser muito bem refletidos e postos de tal forma que a possibilidade de erros seja mínima. Belo texto.
Abraços
Francisco Castro